As seis horas da madrugada quando aquele despertador começou a soar eu já sabia que definitivamente aquele não seria um bom dia. Sensação esta que só piorou, quando eu finalmente consegui chegar ao estágio e me deparai com uma pilha de processos para efetuar acompanhamento. Meu pé machucado latejava, justo no dia em que não dispunha de nenhum remédio o ferimento tinha reaberto. As 9 horas minha supervisora me entregou uma pasta recheada de reportagens e um pen drive de 2 gigas cheio de jurisprudências e relatórios para pesquisar e redigir uma petição sobre “abandono afetivo”, coisa segundo ela inédita na justiça do maranhão, lá estou em meu cubículo me afogando em reportagens e decisões judiciais dividida entre a glória e fúria, concentrada na pesquisa, quando o alarme de um carro logo em frente ao prédio do juizado escandalosamente se desespera a tocar, se ao menos o dono tivesse aparecido para desligá-lo, ou quem sabe o ladrão que supostamente disparou aquele maldito alarme tivesse efetivamente o levado, ai aim, quem sabe assim eu ñ teria sido obrigada a ouvir todo o repertorio de buzinas e sinais de alerta que um carro pode ter… imaginem ter que ouvir essa sucessão de temas durante 3 horas seguidas? Imaginaram? Hmpf nem tentem… minha cabeça estava explodindo!
Quando minha angustia matinal se encerrou, passado o almoço, era chegada a hora de ir para a faculdade, e como se não bastasse o fato de estar atrasada olhei para o céu e vi várias nuvens negras se aproximando, por um momento fiquei em dúvida se eu estava num clipe de Roberto Carlos ou num episódio de Ely Stone =p, rsrs, enfim, mesmo eu tendo usado o Maximo de minha velocidade para chegar sã, salva e seca na parada de nada tudo isso me adiantou, já que logo depois de descer na parada, a uns 100 metros do portal de entrada da faculdade o humor de são Pedro piorou e um dilúvio desceu sobre a cidade, fiquei meia hora na parada junto com outros 7 infelizes esperando que aquela tempestade se meneasse para enfim pudéssemos seguir com nossos caminhos, quando um desgraçado-maldito-FDP-miserável passou a toda velocidade e molhou todo mundo! Completamente sem ação, e sem conseguir enxergar nada, e em verdade nem poderia pois uso óculos e este estava completamente molhado e embaçado, não fui capaz de ver que outro maldito-FDP- desgraçado se aproximava, e mais uma vez todos os ocupantes daquela pequena fortaleza de concreto foram encharcados até a alma por aquela água suja e lamenta da avenida. Confesso que nessa hora emudecida pelo choque, tendo como fundo musical os berros e palavrões dos meus indignados companheiros de tristeza, não consegui entender porque tudo de ruim tinha que me acontecer no mesmo dia, mas agora eu entendo…quando o universo conspira contra nós não há nada que se possa fazer!









